A música entrou em sua vida desde cedo. Primeiro como uma ouvinte

brincante dos pais músicos, depois quando resolveu estudar canto.

Mas antes de se assumir cantora, em 2003, ao integrar a banda O

Jardim das Horas, fez parte da Cia Vatá, com quem excursionou pelo

Brasil e EUA aprimorando suas técnicas de dança contemporânea,

clown e atriz.

Desde 2007 vivendo em São Paulo, pra onde resolveu se mudar com

a banda, Laya tem mergulhado na música. Produziu e lançou o

primeiro disco d’O Jardim das Horas, participou de projetos especiais

como o LAYA recanta FATAL, para uma edição da Virada Cultural de

SP, e fez parte do show em homenagem a Caetano Veloso, realizado

em 2015 no Auditório do Ibirapuera e produzido pelo músico

Mauricio Tagliari à convite da editora TRIP. Foi Saulo Duarte,

também cearense, quem a levou até os estúdios da ybmusic, em São

Paulo. Talvez sem saber que começava ali uma parceria que resultou

no lançamento de seu primeiro disco solo.

Laya e Tagliari em pouco tempo começaram a alinhavar canções.

Letras, arranjos, pensamentos. Aos poucos, o disco começava a

ganhar forma: novas canções começaram a chegar, de artistas

conhecidos e desconhecidos; músicos de São Paulo, Ceará, Rio de

Janeiro, Minas Gerais, Cuba, África acostumados a se encontrar, pela

música ou não, nos estúdios da YB, foram se aproximando de

maneira despretensiosa, mas não menos intensa para construírem

juntos um disco autoral. Laya costuma brincar que é um disco

imperfeito. Talvez por não seguir uma única estética, linha, estilo.

‘Talvez também por ser o retrato de um processo de busca artística

inquieta, que dá espaço ao inesperado, ao improvável que é muitas

vezes a fonte da boa arte. As gravações foram celebrações de

musicalidade, sem amarras de metrônomos, arranjos escritos,

overdubs. A complexidade e a beleza nascem da soma das

sensibilidades’, diz Mauricio Tagliari.

As letras escritas ou interpretadas por ela somadas às suas

referências do rock, do tropicalismo e, não menos importante, às suas

influências nordestinas, se transformaram em quatorze músicas.

“Vem Pra Chuva” (Maurício Tagliari), “Mais Brilhantes” (Laya),

“Consideração” (Romulo Fróes e Clima), a dançante “Alheia” (Igor

Caracas e Maria Ó) foram as primeiras canções a serem divulgadas e

são a síntese desse disco de estreia, que coloca no mesmo caldeirão

nomes consagrados da música brasileira com nomes promissores,

ritmos e sons, sentimentos e sensações desses tempos conturbados,

possíveis somente entre poesia e encontros. Tem sutileza, tem brisa

vinda do mar, tem gosto de chuva, tem sertão, tem cidade, tem

saudade e visão.

A espontaneidade e liberdade entre Laya e os músicos convidados

durante as sessões de gravação foram fundamentais para o resultado

final do disco, já que foram feitas ao vivo, sem pré-produção. Mariá

Portugal, Felipe Maia e Thomas Harres (bateria), Igor Caracas

(percussão e vibrafone), Gabriel Bubu (baixo e guitarra), Jesus

Sanchez (baixo), Mauricio Tagliari (guitarra), André Piruka e sua

banda Höröyá, Luca Raele (clarinete e piano), o cubano Jorge Ceruto

(trompete), Carlos Gadelha (guitarra), Dudu Tsuda (teclados), a

cantora Juliana Perdigão (clarinete e flauta) , Guilherme Kafé (baixo e

vocais) e Luiz Gayotto (vocais), deixaram suas assinaturas nas

canções escolhidas para lançar Laya em sua carreira solo.

“Meu desejo é sentir e seguir a necessidade, minha e do mundo. Servir

de instrumento pra força da canção. Que pode servir apenas pra abrir

um pequeno espaço de beleza num coração aflito”.

Laya.